Abdicação de Dom Pedro I e Fim do Primeiro Reinado: 10 questões avançadas

Abdicação de D. Pedro I
10 questões avançadas sobre a abdicação de D. Pedro I em 1831, causas políticas, econômicas e sociais do fim do Primeiro Reinado e consequências para o Brasil.
História do Brasil | 10 questões avançadas
Abdicação de D. Pedro I

Abdicação de D. Pedro I e Fim do Primeiro Reinado: 10 Questões Avançadas

10 questões avançadas sobre as causas estruturais, contexto político-econômico, atores envolvidos e consequências históricas da abdicação de D. Pedro I em 1831


Disciplina
História Política
Período
1823-1831
Foco
Crise Política
Nível
Avançado
Correto Incorreto

Questões Avançadas

Análise crítica das causas e consequências da abdicação

Q.1
A questão da sucessão portuguesa após a morte de D. João VI (1826) influenciou a abdicação de D. Pedro I porque:
A Tornou D. Pedro I automaticamente rei de Portugal contra sua vontade
B Obrigou o Brasil a pagar indenizações à Portugal
C Criou suspeitas sobre suas lealdades e fortaleceu o "Partido Português"
D Resultou na invasão portuguesa do Brasil em 1828
E Impediu o reconhecimento internacional da independência
Questões Resposta Correta: Letra C

Análise Avançada: A herança do trono português (D. Pedro tornou-se D. Pedro IV de Portugal) criou grave crise de legitimidade. As elites brasileiras passaram a desconfiar que seu projeto político priorizava interesses portugueses. O "Partido Português" (Restaurador) ganhou força, enquanto brasileiros temiam a recolonização. A abdicação portuguesa em favor da filha Maria da Glória não apaziguou totalmente essas suspeitas, que se somaram a outras críticas.

Contexto: Esta crise sucessória ocorreu paralelamente à Guerra da Cisplatina (1825-1828), exacerbando a percepção de que D. Pedro I mantinha lealdades divididas entre Brasil e Portugal.

Q.2
O "Ministério dos Brasileiros" (março de 1831) foi importante no processo de abdicação porque:
A Sua rápica dissolução demonstrou o autoritarismo de D. Pedro I e acelerou a crise final
B Conseguiu estabilizar a situação política através de reformas liberais
C Foi formado exclusivamente por portugueses, gerando mais protestos
D Implementou políticas econômicas que resolveram a crise financeira
E Recebeu apoio militar irrestrito, fortalecendo o governo
Questões Resposta Correta: Letra A

Análise Avançada: Formado em 19 de março de 1831 sob pressão popular, o "Ministério dos Brasileiros" (com figuras como José Bonifácio de Andrada e Silva) representava uma concessão de D. Pedro I. Sua dissolução apenas 4 dias depois (23 de março) e substituição pelo "Ministério dos Marqueses" (formado por nobres portugueses) foi interpretada como traição e provocou a "Noite das Garrafadas". Este episódio demonstrou a incapacidade de compromisso do Imperador e esgotou sua margem de manobra política.

Contexto Historiográfico: Historiadores como Tobias Monteiro e José Murilo de Carvalho destacam este episódio como momento decisivo que uniu diferentes setores da oposição.

Q.3
A relação entre a crise financeira do Primeiro Reinado e a abdicação pode ser explicada pela:
A Falta completa de recursos para pagar o funcionalismo público
B Combinação de dívida externa crescente, gastos militares e crise de legitimidade fiscal
C Recusa das elites em pagar qualquer tipo de imposto
D Hiperinflação causada pela emissão descontrolada de moeda
E Perda total das receitas alfandegárias após a independência
Questões Resposta Correta: Letra B

Análise Econômica: A crise fiscal era estrutural: 1) Dívida externa herdada de Portugal (£1.4 milhões em 1825) aumentou com a Guerra da Cisplatina; 2) Gastos militares consumiam 50% do orçamento; 3) Sistema tributário ineficiente com baixa arrecadação; 4) Elite resistia a novos impostos, especialmente após os gastos considerados improdutivos da Cisplatina. A tentativa de criar novos tributos em 1830-1831 foi recebida com resistência, alimentando o descontentamento.

Dados: A dívida pública saltou de 11.5 milhões de mil-réis em 1824 para 26 milhões em 1831, enquanto as receitas permaneciam estagnadas.

Q.4
O papel da imprensa liberal na queda de D. Pedro I foi crucial porque:
A Publicava apenas notícias favoráveis ao governo
B Criou uma esfera pública crítica e mobilizou a opinião contra o autoritarismo
C Era financiada diretamente por potências estrangeiras
D Defendia a volta do regime colonial português
E Limitava-se a questões literárias e culturais
Questões Resposta Correta: Letra B

Análise Cultural-Política: Jornais como "Aurora Fluminense" (Evaristo da Veiga), "Repúblico" e "Sentinela da Liberdade" (Cipriano Barata) criaram o que Habermas chamaria de "esfera pública burguesa". Através de artigos, sátiras e denúncias, construíram um discurso crítico que: 1) Exponha o autoritarismo do Poder Moderador; 2) Denunciava o favorecimento a portugueses; 3) Criticava os gastos com a Cisplatina; 4) Articulava um projeto alternativo de nação. Esta imprensa foi fundamental para coordenar a oposição e dar voz ao descontentamento difuso.

Exemplo: Evaristo da Veiga organizou o abaixo-assinado com 4.000 assinaturas pedindo a permanência do "Ministério dos Brasileiros" em 1831.

Q.5
A perda de apoio militar foi decisiva para a abdicação porque:
A O Exército brasileiro era insignificante e mal equipado
B Os oficiais brasileiros se recusaram a reprimir manifestações populares
C Portugal enviou tropas para depor D. Pedro I
D A Guarda Nacional ainda não havia sido criada
E Todos os generais eram portugueses e o apoiavam incondicionalmente
Questões Resposta Correta: Letra B

Análise Militar-Política: Em 6 de abril de 1831, quando D. Pedro I pediu ao Corpo de Tropa para dispersar manifestantes, o major Miguel de Frias e outros oficiais se recusaram, declarando que "soldados brasileiros não reprimem brasileiros". Esta recusa foi simbolicamente devastadora. O Exército, dividido entre oficiais brasileiros (que criticavam o favorecimento aos portugueses nas promoções) e portugueses (leais ao Imperador), não podia mais garantir a ordem. Sem o monopólio da força, o regime tornou-se insustentável.

Contexto: Desde 1824, com a Confederação do Equador, já havia tensões entre oficiais brasileiros e portugueses no Exército, exacerbadas pela Guerra da Cisplatina.

Q.6
A "Noite das Garrafadas" (13 de março de 1831) representou:
A Um conflito menor sem significado político relevante
B A radicalização do conflito entre brasileiros e portugueses no plano popular
C Uma rebelião organizada pelo Exército contra D. Pedro I
D O início da Guerra da Cisplatina no Rio de Janeiro
E Uma celebração da independência que terminou em violência
Questões Resposta Correta: Letra B

Análise Sociopolítica: Este conflito de rua entre brasileiros (que cantavam "pelos brasileiros somos, pelos brasileiros morremos") e portugueses (que gritavam "viva el-rei") mostrou como as divisões políticas haviam se popularizado. Não era mais apenas uma disputa entre elites, mas um conflito identitário que atingia camadas populares urbanas. A violência das "garrafadas" (cacos de vidro) simbolizava o esgotamento das soluções institucionais e a entrada em cena da mobilização popular direta.

Contexto Urbano: O Rio de Janeiro tinha população de cerca de 150.000 habitantes, com significativa presença portuguesa no comércio, criando tensões sociais que se politizaram.

Q.7
O "Partido Brasileiro" que pressionou pela abdicação era composto principalmente por:
A Republicanos radicais que desejavam o fim imediato da monarquia
B Uma coalizão heterogênea de liberais moderados, exaltados e elites regionais descontentes
C Exclusivamente por grandes proprietários rurais escravistas
D Militares que desejavam implantar uma ditadura
E Integrantes do Partido Restaurador (português)
Questões Resposta Correta: Letra B

Análise Política: A oposição a D. Pedro I era uma frágil coalizão que incluía: 1) Liberais moderados (como Evaristo da Veiga) que desejavam monarquia constitucional com limites ao Poder Moderador; 2) "Exaltados" ou "Farroupilhas" que defendiam maior autonomia provincial; 3) Elites regionais (especialmente do Nordeste) descontentes com o centralismo; 4) Militares brasileiros ressentidos com promoções de portugueses; 5) Intelectuais influenciados pelo liberalismo europeu. Esta heterogeneidade explica as contradições do Período Regencial que se seguiu.

Divisões Internas: Após a abdicação, estas diferenças emergiriam nos conflitos entre regressistas, progressistas e exaltados durante a Regência.

Q.8
A abdicação em 7 de abril de 1831 diferiu de um golpe militar porque:
A Foi organizada e executada por generais brasileiros
B Resultou de pressão política e perda progressiva de apoio, não de ação militar direta
C Contou com intervenção estrangeira para garantir a transição
D Manteve D. Pedro I como comandante do Exército
E Foi seguida imediatamente pela proclamação da República
Questões Resposta Correta: Letra B

Análise do Processo: A abdicação foi o desfecho de um processo de erosão gradual da base de apoio: 1) Crise de legitimidade desde 1823 (dissolução da Assembleia); 2) Desgaste pela Guerra da Cisplatina (1825-1828); 3) Isolamento político após 1828; 4) Radicalização em 1830-1831 com "Noite das Garrafadas" e recusa militar. Não houve um ato militar decisivo, mas sim o colapso progressivo das condições de governabilidade. D. Pedro I abdicou quando percebeu que não tinha mais apoio para governar, assinando documento formal em favor do filho Pedro de Alcântara.

Documento: A carta de abdicação mencionava "reconhecendo que a minha presença é causa de desordens", mostrando consciência do isolamento político.

Q.9
A questão escravista influenciou a crise do Primeiro Reinado porque:
A D. Pedro I propôs a abolição imediata, alienando as elites
B As pressões britânicas pelo fim do tráfico criaram tensões com interesses escravistas
C Os escravizados organizaram rebeliões que derrubaram o governo
D Portugal ameaçou libertar todos os escravos brasileiros
E O Brasil aboliu a escravidão antes da abdicação
Questões Resposta Correta: Letra B

Análise das Relações Internacionais: O Tratado de 1826 com a Grã-Bretanha (assinado por D. Pedro I) estabelecia que o tráfico seria considerado pirataria após 1830. Esta concessão às pressões britânicas preocupou as elites escravistas, especialmente do Nordeste e Sudeste, que dependiam do tráfico para repor sua mão-de-obra. Embora não fosse a causa principal, esta questão contribuiu para o descontentamento de setores econômicos poderosos, que viam o governo como fraco frente às pressões externas e potencialmente ameaçador a seus interesses fundamentais.

Contexto: Entre 1826-1830, entraram ilegalmente no Brasil cerca de 156.000 escravos, mostrando a continuidade do tráfico apesar do tratado.

Q.10
A principal consequência política imediata da abdicação foi:
A A proclamação da República em 1831
B A reunificação do Brasil com Portugal
C O início do Período Regencial e descentralização política
D A ascensão de um ditador militar ao poder
E A fragmentação do território brasileiro
Questões Resposta Correta: Letra C

Análise das Consequências: A abdicação iniciou o Período Regencial (1831-1840), caracterizado por: 1) Governo de regentes eleitos (inicialmente Regência Trina); 2) Ato Adicional de 1834 que descentralizou o poder, criando Assembleias Legislativas Provinciais; 3) Aumento da autonomia regional; 4) Emergência de movimentos federalistas e revoltas provinciais; 5) Experimentação política dentro do marco monárquico. Este período representou a vitória temporária das forças liberais e federalistas sobre o centralismo autoritário do Primeiro Reinado, preparando o terreno para o parlamentarismo do Segundo Reinado.

Legado: A experiência regencial mostrou tanto as possibilidades quanto os limites do liberalismo no Brasil escravista, culminando no Golpe da Maioridade (1840) que antecipou a coroação de D. Pedro II.

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