Constituição de 1824
A primeira lei máxima do Brasil: imposta por D. Pedro I e marcada pelo Poder Moderador.
⚖️ A PRIMEIRA LEI MÁXIMA DO BRASIL IMPERIAL
Após dissolver a Assembleia de 1823, D. Pedro I escolheu dez pessoas de sua confiança para escreverem o texto que seria a base do Império.
A Constituição de 1824 foi outorgada. Diferente de leis que são discutidas e votadas por representantes do povo (promulgadas), ela foi imposta, "empurrada" de cima para baixo pelo Imperador em 25 de março de 1824.
Conselho de Estado: 10 pessoas escolhidas por D. Pedro I
Sem participação popular: Nenhum deputado eleito
Imposição: Aprovação por decreto imperial
Enquanto a maioria dos países modernos usava a divisão de três poderes, D. Pedro I criou um quarto poder que garantia seu controle absoluto:
Poder Legislativo: Deputados e senadores que criavam as leis.
Poder Judiciário: Juízes e tribunais que aplicavam a justiça.
Poder Executivo: Exercido pelo Imperador e seus ministros para administrar o país.
O "poder sobre os outros". Era exclusivo do Imperador e permitia que ele interferisse nos outros três poderes, anulando decisões ou demitindo funcionários. Era a base do seu autoritarismo.
O Poder Moderador é a palavra-chave para entender o autoritarismo do Primeiro Reinado em qualquer concurso. Permitia ao Imperador:
• Dissolver a Câmara dos Deputados
• Nomear e demitir ministros
• Anular decisões judiciais
• Controlar as Forças Armadas
Pela Constituição, a pessoa do Imperador era considerada sagrada e inviolável. Ele não podia ser punido ou responsabilizado por seus atos políticos.
Graças ao Poder Moderador, ele tinha a palavra final em tudo. Podia:
• Vetar leis aprovadas pelo Legislativo
• Nomear todos os ministros
• Escolher senadores vitalícios
• Controlar a sucessão imperial
A participação política era restrita a quem tinha dinheiro, criando uma democracia extremamente limitada.
Voto Censitário
- Base: Para votar ou ser candidato, o cidadão precisava comprovar uma renda mínima anual em dinheiro
- Mudança: Não mais em sacas de mandioca, como no projeto da Assembleia
- Exclusão: A grande maioria da população não tinha direito ao voto
Voto Indireto
- Processo: Os eleitores votavam em quem escolheria os deputados
- Distância do poder: O povo não escolhia seus representantes diretamente
- Controle elitista: Sistema favorecia as elites locais
Mulheres, escravizados, analfabetos, pobres sem renda comprovada. Apenas cerca de 1,5% da população brasileira tinha direito a voto.
O Catolicismo foi declarado a religião oficial do Brasil. Outras religiões não eram reconhecidas oficialmente.
O Império e a Igreja eram unidos pelo sistema de Padroado, onde o Imperador tinha o poder de:
• Nomear bispos
• Autorizar (ou não) o funcionamento de ordens religiosas
• Controlar propriedades da Igreja
• Aprovar documentos eclesiásticos
O Padroado transformava a Igreja Católica em uma espécie de departamento do Estado, sujeita ao controle imperial. Isso gerou tensões com o Vaticano, que não aceitava totalmente essa subordinação.
A Constituição de 1824 foi a que durou mais tempo na história do Brasil (65 anos), até o fim do Império em 1889.
Ela garantiu a unidade do território brasileiro durante o período imperial, evitando a fragmentação em várias repúblicas.
Ao mesmo tempo, foi a causa de muitas revoltas, pois o povo e as elites provinciais não aceitavam o excesso de poder nas mãos de D. Pedro I.
| Característica | O que significa? |
|---|---|
| Outorgada | Imposta pelo Imperador, sem votação popular |
| Poder Moderador | Poder supremo de D. Pedro I sobre os outros poderes |
| Voto Censitário | Voto baseado na riqueza/renda do cidadão |
| Voto Indireto | O povo não escolhia deputados diretamente |
| Padroado | União entre Igreja e Estado (Imperador manda na Igreja) |
| Unitária | O poder era centralizado no Rio de Janeiro, sem autonomia para as províncias |
Comparação: Constituição de 1824 vs. Atual
- 1824: 4 poderes (Moderador, Executivo, Legislativo, Judiciário)
- Atual: 3 poderes independentes (Executivo, Legislativo, Judiciário)
- 1824: Voto censitário e indireto
- Atual: Voto universal, direto e secreto
- 1824: Estado confessional (religião oficial)
- Atual: Estado laico (nenhuma religião oficial)
A Constituição de 1824 estabeleceu um regime centralizado, autoritário e elitista que duraria até 1889. Seu maior legado foi manter a unidade territorial, mas ao custo de excluir a maioria da população da vida política.
Fixação do Conteúdo
Teste sua compreensão sobre a Constituição de 1824
Explicação: O Poder Moderador era exclusivo do Imperador e permitia que ele interferisse nos demais poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Este poder permitia ao Imperador dissolver a Câmara dos Deputados, nomear e demitir ministros, anular decisões judiciais e controlar as Forças Armadas.
Significado histórico: O Poder Moderador era a base do autoritarismo imperial, garantindo que D. Pedro I tivesse a palavra final em todas as decisões importantes do Estado.
Explicação: O Padroado estabelecia uma união entre Igreja e Estado, na qual o Catolicismo era a religião oficial e o Imperador tinha o direito de nomear bispos, autorizar ordens religiosas e controlar propriedades da Igreja. O Papa apenas confirmava as indicações feitas pelo Imperador.
Contexto histórico: Este sistema vinha da tradição portuguesa e transformava a Igreja Católica em uma espécie de departamento do Estado brasileiro, sujeita ao controle imperial.
Pratique Mais
Mais questões sobre a Constituição de 1824 e organização do Império
Constituição de 1824
15 questões sobre os quatro poderes, Poder Moderador e características principais.
Sistema Eleitoral Imperial
20 questões sobre voto censitário, indireto e exclusões políticas no Império.
Organização Política do Império
25 questões avançadas sobre centralização, províncias e administração imperial.